Na véspera, sexta-feira à noite cai uma chuva torrencial em Florianópolis. Pronto, foi um balde de água fria, o passeio do dia seguinte seria cancelado! Para minha surpresa e, acredito, que de todos os ali presentes, o sábado dia 25 de maio de 2012 amanhece lindo e ensolarado, perfeito para um passeio rodeado de amigos! Após a concentração com direito a muito Rock and Roll, saímos do prédio do TJSC no centro de Florianópolis por volta das 9:30, escoltados por 2 batedores da PRE-SC. Seguimos pela via expressa, BR 101 e SC 407 até pararmos em frente à Igreja na Colônia Santana para um rápido lanche. Andamos mais alguns quilômetros até São Pedro de Alcântara onde realizamos uma parada para tirar a água do joelho e apreciar a belíssima Igreja lá construída.
Voltamos pelo mesmo caminho com sentido à sede da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça de SC (ASTJ) localizada às margens da BR 101 próximo ao trevo de Forquilhinhas. Lá fomos recepcionados com deliciosos pratos à base de tainha e muito Rock and Roll. Nada como um passeio pra tirar o stress da semana!!!
Além de motocicletas tenho uma outra paixão, essa mais antiga: esportes. Paixão que começou quando pequeno via meu pai jogar futebol. Aquela mistura de palavrões, correria, chutes e gols me fascinava. Porém quis Deus que eu não tivesse muita coordenação motora para a coisa e, devido a uma briga na escola, resolvi optar por praticar Judô.
Posso ter começado pelo motivo errado, mas pelos motivos corretos persisti nesta arte. No Dojô (local de prática do Judô) aprendi a ter paciência e perseverança. Nos campeonatos cultivei a calma e o autocontrole e aprendi que a derrota muitas vezes produz lições mais importantes que a vitória. Na adolescência além do Judô, jogava futebol com meu pai (sim, agora eu também corria, chutava e xingava) e, para tentar melhorar a performance, fazia um pouco de musculação. Eu notava que após os exercícios uma sensação de paz e bem estar me tomava. Se eu tivesse um problema ou não estava muito legal, bastava um treino ou uma partida de futebol para me sentir bem. Como sempre fui acostumado a praticar atividades físicas, foi um pulo para começar a dar umas corridinhas. A diferença é que eu não competia mais com outras pessoas, mas sim comigo mesmo, ao tentar diminuir um tempo ou percorrer uma distância maior. Após uma corrida aquela sensação de bem estar que falei era tão forte que eu achava que estava chapado!
Foi quando, há um tempo atrás, li uma reportagem na revista Vip (http://vip.abril.com.br/saude/esportes/correr-e-uma-droga/) sobre os efeitos “psicotrópicos” da corrida. Essa reportagem explicava que o organismo, após uma atividade física intensa, libera um hormônio chamado endorfina. Esse hormônio age no cérebro diretamente no córtex pré-frontal e no sistema límbico, áreas ligadas às sensações de prazer, provocando sensações similares à drogas derivadas do ópio, como a heroína.
Agora, o que tudo isso tem à ver com o nome do blog? A tradução para Stoned Moto Riders, seria algo como “Pilotos de Moto Chapados”. Isso quer dizer que além de viciante, o andar e, principalmente, o viajar de moto me dão uma imensa sensação de paz, bem estar e prazer. Além disso, como já falei em um post anterior (http://stonedmotoriders.blogspot.com.br/2012/03/viajar-de-moto-ou-de-carro.html), a moto me proporciona sensações similares às relatadas por usuários de drogas, como estar voando ou a ampliação da sensibilidade com as coisas em volta.
Por isso, tal qual atividade física pra mim, andar de moto também é uma droga!
Em 2011 me surgiu uma idéia: chegar de moto ao Ushuaia, o ponto habitado mais ao sul do mundo, na Argentina. Haviam, entretando, diversas peculiaridades no trajeto: grandes distâncias sem postos de combustível, estradas mal conservadas, grandes variações de altitude e temperatura, gasolina de diferente do Brasil, etc. Comecei a pensar que talvez não fosse uma boa ir com a minha Yamaha Virago XV 535. A Virago (segundo a Wikipedia, mulher de qualidades heróicas), apesar de uma excelente moto Custom carburada, para uma viagem com essas características me adicionaria um risco ao projeto. As motos Custom, conhecidas nos EUA como Cruisers (de Cruzeiro), são motos que imitam o design das máquinas americas das décadas de 1930 a 1960, tendo a Harley Davidson como um ícone deste estilo. Como a qualidade das estradas estadounidenses é boa, a posição de pilotagem e o amortecimento das Customs não é dos mais confortáveis para trechos não asfaltados. Certa vez, em uma viagem que fiz pelo interior de SC, por essa razão tive que retornar diante de um trecho de alguns km de estrada de chão. Devido a essa “incompatibilidade” entre as motos Custom e trechos ruins, tomei a decisão: a viajem para Ushuaia deve ser realizada em uma moto Trail. As trails são motos de duplo propósito, feitas tanto para o asfalto (on-road) quanto passeios off-road recreativos. Esse duplo propósito das Trails me possibilitaria tanto realizar viagens mais aventureiras quanto utilizar a moto como meio de transporte na cidade. Decidido o estilo, parti para a potência. Como estava acostumado com uma moto de média cilindrada (a Virago tem 535 cc) decidi continuar nessa mesma categoria. De posse dessas decisões parti para a pesquisa. Após muito ler na Internet e em revistas especializadas, fechei o leque de opções em 4 modelos:
Suzuki V-Strom 650 Apesar de ser uma das mais vendidas nesse segmento de mercado, achei-a um tanto grande. Isso me incomodaria um pouco caso quisesse usá-la no trânsito da nossa querida “Filanópolis”.
Yamaha XT660R Foi muito bem avaliada no off-road pelas revistas e sites, e possui um bom tamanho para uso na cidade. Contra ela estava o fato de ser muito visada por assaltantes, o banco estreito (desconfortável em viagens longas) e o design mais simples, comparado aos outros modelos analisados.
Yamaha Teneré XT660Z Li diversos depoimentos e avaliações sobre como ela era boa tanto no on quanto no off-road, porém ela não estava disponível em Floripa no momento que decidi comprar a trail, uma pena.
Kawasaki Versys 650 Diferentemente do que seu nome diz (Versys - Versátil), a moto é mais voltada para o segmento on-road. Possui ABS opcional, motor bicilíndrico e saídas de ar voltadas para baixo (e para longe das pernas do piloto). Além disso possui um design muito bonito.
BMW G650GS Pelas análises que li, esta moto também manda muito bem tanto no on quanto no off-road e é reconhecida como uma moto muito resistente. Isso é muito bem demonstrado pelo slogan “Unstoppable” (Que não para). De série possui protetores de punho, manoplas aquecidas e ABS.
Com esses 5 modelos na cabeça, numa quinta-feira de dezembro de 2011, fui à revenda especializada da Kawasaki, que era a mais próxima da minha residência, onde pedi para ver a Versys. Aqui o principal fator que pesou na minha decisão de descartá-la foi o fraco atendimento da concessionária. Por ser uma autorizada de uma grande marca como a Kawasaki, esperava mais. Fui atendido por uma moça que sabia o básico sobre a moto, mas sempre que indagada sobre algo mais técnico me fazia esperar para perguntar ao gerente. Depois perguntei se poderia realizar um test-drive e o gerente me informou que só poderia após a compra da moto. Claro, eu vou dar 30 mil reias pra depois descobrir que não gostei. Então, logo após o fraco atendimento da Kawasaki, fui até a Top Car, revenda da BMW em Florianópolis. Na entrada já dei de cara com o modelo 2012 que, pra mim ficou mais bonito que o antigo. Na hora pensei comigo: - Puts fudeu, é essa. Já descolado, procurei um homem para me atender. Fui atendido pelo Rodrigo. Perguntei sobre diversas questões técnicas como consumo, custos de manutenção, autonomia, freios ABS, protetores de punho, manoplas aquecidas, luz de reserva de combustível, etc. Após o questionário, para minha surpresa, ele me pergunta se eu não queria realizar um test-drive. O que? Eu nem preciso comprar a moto para experimentá-la? Aqui novamente o atendimento foi um fator decisivo mas, ao contrário da Kawasaki, positivo. Saí da autorizada com aquela coceirinha na mão. O preço estava bom e a moto me agradou. À noite liguei para meu pai para contar sobre minha intenção. No dia seguinte fomos juntos à concessionária. Resultado: saímos de lá donos de 2 BMW G650GS!
Sugetões:
Busque informações em fóruns especializados na Internet. Dessa maneira é possível já conhecer os principais pontos fortes e fracos da moto. Assim as dúvidas na hora da compra já poderão ser sanadas e fica mais fácil chorar sabendo dos pontos negativos ou problemas.
Realize um test-drive. Se for possível, passe o dia com a moto e pilote em diversos tipos de situação (rodovias, cidade, trilhas, etc), levando em conta os tipos que serão mais utilizados.
Converse com donos. Nada melhor do que uma pessoa que já tem intimidade com a moto para passar dicas sobre ela.
Seja atendido(a) por homens. A compra de uma motocicleta muitas vezes é um ato emocional, mas essa emoção tem que ser pela máquina. Se você é um homem, saiba que você não vai pegar a vendedora só porque comprou a melhor moto da loja com ela. Pechinche. Se você é mulher, jogue seu charme pra cima do vendedor pra baixar o valor. Homens têm dificuldades de negociar com mulheres, especialmente as bonitas. Além disso é mais provável encontrar um vendedor masculino com mais conhecimento técnico para sanar suas dúvidas.